Singapura, a cidade das multas

As sapatilhas já não pisam uma calçada gasta e os olhos já não encontram barraquinhas a perfumar as ruas com os cheiros a picante.

Chegamos a Singapura e aqui tudo é mais limpo, calmo e organizado.

Fascino-me com os arranha-céus que cobrem a cidade.
Espanto-me com as pessoas extremamente cívicas. Nos passeios andam, quase em fila, pela esquerda. Até no metro, que nos leva a qualquer parte da cidade, sinto os meus pés a ultrapassar linhas que limitam por onde andar e onde esperar.

Passeio pela rua completamente despercebida. Aqui vemos imensos estrangeiros, não só turistas. Muitas pessoas optam por Singapura para viver, para trabalhar, para estabelecer os seus negócios.

Reparo que as pessoas são preocupadas com a sua imagem. Apesar do calor continuar a embrenhar-se no corpo, os calções são substituídos por calças vincadas e os chinelos a arrastar pela rua dão lugar a saltos altos e malas que, pela forma que são abraçadas, devem transportar valores inigualáveis.

Conhecido como o país que tem mais ricos do mundo, Singapura precisa satisfazer os requisitos dessas pessoas. E está preparada para isso, para receber muito dinheiro em hotéis, restaurantes, clubs.

Pode já não ser possível usufruir de uma relaxante massagem na rua, mas Singapura faz questão de elevar um spa para satisfazer os seus visitantes. Tudo para deliciar os gostos mais requintados.

Tendo a Ásia moedas tão diferentes de país para país, aqui optaram, obviamente, pelo Dólar de Singapura. A inflação sobe mais do dobro em relação a outros locais do continente asiático, como na Malásia. Em contrapartida, assemelha-se a Portugal.

A diversidade cultural de Singapura é refletida na gastronomia. Delicio-me com alguns pratos chineses, indianos e coreanos. No entanto, em vários locais é proibida a venda de fruta na rua por expulsar cheiros intensos. Para os mais esquecidos, há cartazes a alertar a multa.

Sim, este é o país das multas. Multa se fumar em certas estradas, se não descarregar a água na sanita, se gritar num jogo de futebol, se comer e beber dentro de transpores públicos ou mesmo se abraçar sem permissão. Esta foi a que mais me impressionou. Nem parece verdade, mas aqui a lei é muito peculiar e tem de ser respeitada porque as multas chegam a ultrapassar os 1000 dólares (quase 600 euros).

É uma cidade muito desenvolvida. Arriscar-me-ia a equipará-la com grandes capitais europeias ou mesmo com Nova Iorque. Mas receio que o misticismo da Ásia se tenha perdido em tanta preocupação com a segurança e a organização.


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